Português morto por menores em Panorama veio para o interior fugindo da violência das grandes cidades, afirmam os familiares

O português Pompeu Antônio Veiga, de 84 anos.

O português Pompeu Antônio Veiga, de 84 anos.

Na última semana, um crime cometido por dois adolescentes de 17 anos, chocou a comunidade de Panorama. A vítima foi um homem de 84 anos, que residia no bairro Centro. Registros da Polícia Civil constataram a ocorrência de Latrocínio (Roubo seguido de morte).

O crime foi esclarecido graças à inexperiência dos autores e a competência da equipe do setor de investigações da Polícia Civil, comandada pelo delegado Alexandre Luis Luengo Lopes.
Segundo o delegado, os trabalhos começaram no domingo (17), quando por volta das 11h, o corpo de Pompeu Antônio Veiga, de 84 anos, foi encontrado em sua residência com aparentes sinais de violência e esfaqueamento. Acionada a polícia técnica, depois de realizado exame necroscópico, o legista atestou como causa da morte, homicídio praticado a golpes de faca.
No corpo da vítima havia perfurações no rosto, no pescoço, na cabeça, no braço e a casa estava toda revirada. Desconhecendo ainda a autoria, os investigadores passaram a entrar em contato com comerciantes informando o nome da vítima.
Já na segunda-feira (18), pela manhã, as investigações culminaram no interrogatório aos dois adolescentes que teriam adquirido produtos alimentares com o cheque da vítima num estabelecimento comercial do município. Diante das evidências, “D” e “C”, ambos de 17 anos, confessaram a prática do crime.
De acordo com o delegado, os dois menores informaram à polícia que tramaram o furto durante a tarde de sábado (16), no Balneário Municipal.
Um deles, vizinho da vítima, repassou todas as informações ao colega. Mais tarde foram até as proximidades da residência do idoso e observaram a movimentação da casa.
À noite, por volta das 22 horas, adentraram ao local permanecendo numa área e quando tentaram entrar na residência pela porta dos fundos não conseguiram, pois estava trancada. Aguardando um tempo, conseguiram adentrar a casa. “D” foi logo imobilizando a vítima com uma gravata. Com a vítima desfalecida a jogaram no chão e ao perceber que a mesma reagiria, “C” teria ido até a cozinha da casa onde buscou duas facas. Com a vítima deitada efetuaram vários golpes, atingindo o pescoço, o rosto, a cabeça e os braços. O corpo apresentava sinais de que o homem teria tentado se defender dos golpes, segundo o delegado.
Da casa teriam subtraído um talão de cheques, um relógio, um celular e R$ 10,00 em dinheiro.
Os menores negaram que o dinheiro seria utilizado na compra de entorpecentes.
De acordo com o delegado, a maior pista foi à apreensão de um cheque com o nome da vítima, com o qual um dos adolescentes, que aparece em filmagens do estabelecimento comercial, teria adquirido produtos alimentícios.  Esses produtos teriam sido consumidos durante o domingo, quando na casa de um dos adolescentes, eles fizeram um churrasco com carnes e bebidas. Reconhecendo o nome da vítima, acionou a polícia.
Segundo consta, os adolescentes afirmaram que as facas já eram de propriedade da vítima. Os familiares de seu Pompeu tinham conhecimento de que o idoso tinha porte de arma e era dono de um revólver, não sabendo onde estaria escondido ou se havia sido furtado. “D” e “C” negaram ter subtraído a arma.
Conforme o delegado Alexandre Luis Luengo Lopes, os menores foram identificados pelas suas características. “D” já é bastante conhecido nos meios policiais e já esteve internado na fundação Casa.
Depois de ouvidos na Delegacia Local, na segunda-feira (18), por volta das 10h, onde confessou o crime, os adolescentes foram apresentados ao Ministério Público, que poderia solicitar a internação, sendo encaminhados para a Unidade de Atendimento a Infratores, da Fundação Casa.
“D” e “C” cometeram o crime de latrocínio, sendo inquiridos como Ato Infracional. Apesar de ser menores, com 17 anos de idade, podem ser tidos como exceção do ECA e a pena pode extrapolar até os 21 anos, conforme o delegado. O procedimento de praxe nesses casos é o encaminhamento para a Vara da Infância e da Juventude, junto ao Ministério Público, que deverá instaurar uma sindicância para apurar a autoria e materialidade do crime.
MAIS INFORMAÇÕES – Aposentado, o português Pompeu Antônio Veiga, de 84 anos, morava sozinho. Há 17 anos no município, o idoso que veio de Portugal, constituiu família no bairro Pinheiros, em São Paulo, onde se casou e teve quatro filhos. Um pouco mais tarde, com sua separação, contrariando a vontade dos familiares, que achavam que esta cidade era muito longe, veio para Panorama. Segundo os familiares, o homem considerava a cidade mais sossegada e veio embora para fugir da poluição e da violência das grandes cidades. Mal sabia ele o que o destino lhe reservava.

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