Gente da gente: riquezas dos nossos 55 anos

Marcelo Cláudio Santana.

Marcelo Cláudio Santana.

Marcelo Cláudio Santana, de 36 anos, é auxiliar de escritório em Panorama. Natural de São Paulo capital, “Marcelo Macarrão” como é conhecido, é filho de dona Maria Santana. Marcelo veio para Panorama em meados de 1978, na época tinha cerca de 4 a 5 anos de idade. Seus avós maternos, dona Adélia e seu Manoel Bernardo Santana (in memória) moravam por aqui, na Ilha da Capivara. Moleque de cidade grande, quando viu o imenso rio Paraná de águas correntes à sua frente, ficou doidinho. Relembra: “Minha mãe que me ensinou a dar as primeiras braçadas. A hora que eu vi aquele riozão, eu quase endoidei”. Mais velho entre seis irmãos, Marcelo teve de se virar logo cedo. Dividia seu tempo dos estudos com as tarefas de vendedor de coxinha, vendedor de sorvete/gelinho, engraxate. Foi bóia-fria indo a colheitas de feijão, algodão, amendoim. Trabalhou em diversas funções nas cerâmicas, setor de limpeza, lanceador, forneiro. Recorda com alegria, da época em que ia para Dracena todos os dias. Lá vendia doces e pães, o que lhe permitia ajudar sua família. Até na feira ele já trabalhou, ganhava cerca de R$10,00 e no final do serviço podia separar um pouco de cada coisa, verdura, legumes para levar para os irmãos. Sua mãe, ‘pau para toda obra’, se dedicava a serviços na bóia-fria e como doméstica. Com muito sacrifício cuidava de seus filhos. Graças a Deus, o jovem Marcelo Macarrão não tinha preguiça e não deixava a peteca cair. Marcelo trabalhou no Panorama Náutico Clube por 3 anos. Ali começou fez história. Humilde limpador de piscinas e encarregado de serviços gerais, passou a dedicar-se também ao serviço de garçom – atividade pela qual ele é bastante conhecido até hoje. Seu grande conhecimento tendo tido grande relacionamento com o público nessa época, favorecia “bicos de todas as formas”, segurança, vendedor de ingressos de bailes, garçom, animador de festa, papai Noel e uma infinidade de outras funções. Garoto que sempre gostou de esporte, teve naquele emprego, a oportunidade que esperava. O professor Paulo Paranaguá, grande campeão da travessia do rio Paraná a nado, que dava aulas no Náutico Clube convidou-o a participar de sua equipe de natação. Marcelo Macarrão deu um grande sorriso e agarrou a oportunidade com unhas e dentes. “Já tinha aprendido com a minha mãe há nadar um pouco. Ela me mandava bater as pernas e eu, travesso, também me aventurava no rio brincando nos troncos de bananeira e assim fui melhorando cada dia mais. O professor Paulo Paranaguá me ajudou a aperfeiçoar os movimentos”, conta. Marcelo gostava de nadar, jogar futebol, participava de Triátlon, corridas. Na escola fazia de tudo. Tinha um teatro, ele era chamado. Tinha uma dublagem, ali estava ele. Dublagens inclusive, que marcaram época, como uma dublagem, por exemplo, da música Baby me leva, do Latino, feita por ele no antigo Centro Comunitário do Bairro Marrecas. O local estava lotado e em meio às nuvens de fumaça surgiu Marcelo Macarrão, de sunga e imitando o cantor e fazendo igualzinho como ele fazia no palco. A mulherada soltou gritos e gritos. No esporte, relembra: Uma vez, durante uma corrida realizada à noite, na Praça do Povo, na época do Professor Jair na CME, eu estava em primeiro lugar da corrida. Liderei a prova inteira e no final fui ultrapassado pelo “Brindado” que corria pra caramba. No ciclismo, enquanto o pessoal corria com uma Caloi 10, eu corria com uma Monark, verde. Era uma aventura e tanto. “E, saudade daquele La Prata”, afirma relembrando da antiga prainha. De 1984 pra cá, Marcelo Macarrão participou de todas as travessias do rio Paraná a nado, sempre se destacando como um dos primeiros colocados. Recorda-se: na primeira vez que participei da travessia, fiquei em quarto lugar de Panorama. Na segunda vez, já fiquei em segundo. Em primeiro ficou Betanim e em terceiro Minhoca, os dois irmãos. Nesse meio tempo teve também uma prova de Panorama a Paulicéia no rio, esta conquistei o primeiro lugar, com os irmãos Minhoca em segundo e Quinha, em terceiro. Apesar das inúmeras dificuldades e falta de apoio para a formação e manutenção de uma equipe de natação no município, Marcelo nunca desistiu e até hoje continua sendo presença constante nos eventos esportivos. Na última travessia do rio Paraná a nado obteve o quarto lugar na classificação geral, o segundo na categoria Adulto e o primeiro lugar de Panorama. Seus trabalhos e a absoluta dedicação ao esporte lhe renderam a indicação para a candidatura a vereador em 2000, não conseguindo ser eleito. Apesar disso, Marcelo continua ativo na política, é membro do PRB de Panorama, partido pequeno que já na primeira eleição fez um vereador. Representado na Câmara Municipal, Marcelo Macarrão continua tendo uma voz ativa na comunidade. Marcelo sempre morou e mora até hoje no Bairro Marrecas. É amasiado e pai de sete filhos, Tiago, Taís, Tainá, Talia, Tierry, Tailon e Taliça. Seus irmãos, Marquinhos, Cristina, Raquel, Adélia e Daiane o admiram bastante. Seus amigos o adoram pela amizade, companheirismo. Seus familiares o amam pela sua força e dedicação. Marcelo Macarrão é um exemplo de ser humano, de amigo, de pai batalhador, de esportista persistente. É um exemplo de cidadão que brinca que chora e que se levanta e vai à luta e não tem medo de enfrentar as maiores dificuldades. É daqueles que leva o nome de Panorama nas veias. Nadando, correndo, pedalando, trabalhando…a cidade do mais belo pôr-do-sol brilha com um de seus filhos mais ilustres. Obrigado Marcelo Macarrão!


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